Navegação - A importância de uma boa largada


Esse texto é dedicado aos iniciantes no iatismo, acredito que como eu, estiveram na raia muitas vezes largando sem muita ideia de o que estava acontecendo.
Quando iniciei no iatismo, jamais havia velejado, era um tripulante fora do padrão, pois não tinha barco, tampouco era filho de velejadores. Tudo o que aprendi foi errando e acertando e que agora posso dividir essas experiências com os que estão ingressando no esporte.
Para começar, vamos conhecer o que considera a parte mais importante de uma regata, a largada. Um dos primeiros passos que é o AR, aviso de regata, nele normalmente estão descritas informações como; qual a raia que será usada e essa informação é muito importante quando existem muitas raias, pois dependendo das características geográficas de cada local e a direção do vento, pode favorecer ou não seu velejo de acordo com a estratégia adotada em função do tipo de embarcação ou tripulação.
O conhecimento dos recortes geográficos é importante, pois uma rondada de vento pode forçá-lo a mudar um bordo, que pode ser prejudicado por falta de calado, ou forçá-lo a orçar demais o barco.
Além disso, o aviso de regata, no caso de na mesma raia largarem várias classes, ditará a ordem de largada das classes e uma desatenção pode prejudicar o iatista na largada, frente os outros barcos, além das regras de penalização, quais serão as boias de percurso, entre outras informações importantes.
Existe a bandeira de RECON que pode ser dado em terra, impedindo que os barcos sigam rumo a raia ou na própria raia por falta de vento, excesso de vento, falta de visibilidade ou mesmo o fato do vento estar rondando demais. A comissão de regata inicia seu trabalho muito antes da largada, pois é ela que vai para a raia definir o ângulo das boias de barla e sota, é ela também que passa todas as informações para terra, nesse caso definindo se haverá RECON em terra ou se haverá necessidade de alterar a raia, por exemplo.
A caminho da raia, muitas vezes fiquei confuso com aquelas dezenas de barcos serpenteando entre si e passando rente ao barco da comissão de regata e pior, com o timoneiro sempre gritando, marca um ponto em terra!
Ficava pensando, para que marcar um ponto em terra se estamos na água, ainda não tinha ideia da importância de uma boa largada, com o tempo aprendi que mais de 50% das chances de se ganhar uma regata, estava ligada a uma boa largada.
Para os que vão correr pela primeira vez uma regata barla-sota, entre boias, a primeira observação importante é o quadro que fica exposto no barco da comissão de regata, nele está o ângulo da boia de barlavento.
Com esse ângulo, através desse serpentear incessante, se identifica com o vento predominante, se está favorecendo largar próximo à boia ou próximo à comissão de regata.
Isso por que, com o possível rondar do vento você pode dar bordos mais longos ou pode necessitar executar muitas cambadas até alcançar a boia.
O ponto em terra é marcado para o alinhamento entre a comissão de regata e a boia de sotavento da largada, por que quando se deixa a comissão de regata pela popa, sua única referência passa a ser a boia à sua frente e qualquer variação de ângulo pode joga-lo para cima da linha de largada, colocando em risco a largada e posteriormente gerando uma penalização. Por isso a importância da marcação em terra.
Ás vezes é difícil para um iniciante identificar sua importância em meio à correria que é uma largada, mas como no regressivo de 1 minuto todos os barcos vem no mesmo rumo, é importante estar sempre atento para não cometer nenhuma interferência. Principalmente, considerando muitos outros fatores como, intensidade do vento, onda, corrente, as possíveis rondadas do vento, embarcação e tripulação.
O iatismo é um jogo de xadrez, pois além das habilidades dos velejadores, deve-se prever o que irá acontecer na raia, quais decisões tomar, sempre considerando quais as possíveis decisões que seus  adversários também irão tomar.
Por isso, largar mal ou mesmo, sofrer uma penalização por causa de um erro, pode significar perder um tempo precioso que muitas vezes se torna irrecuperável.
Bons ventos.