Esporte - XII Volta a Ilha de Santo Amaro


Para os Paulistas e Paulistanos que não conhecem a Ilha de Santo Amaro, pasmem, ela é também conhecida como Guarujá, já ouviu falar?
Existem diversas provas no mundo de canoa havaiana, mas até onde se tem notícia a volta a ilha de santo amaro é a maior em distância compreendendo 75km em todo o seu contorno. Dentro dessa distância, aplica-se diversas técnicas de remada uma vez que dentro do percurso existem trechos de praia, águas abertas próximas à costeira, mangue e para finalizar uma navegação dentro do Porto de Santos, com intenso fluxo de embarcações em área restrita, o que exige além de muita força física, técnica e tática nas manobras das embarcações que medem 15 metros de comprimento.
Na noite que antecedeu o evento, todos os remadores participaram do briefing e entre conversas com tripulações ouvia-se muitas apostas sobre as condições da prova, cada um usou de seu conhecimento e consultas aos sites sobre as possíveis condições, mas na verdade, durante a prova tudo pode acontecer e aconteceu!
Equipes mistas e masculinas aguardavam ansiosamente a largada que foi no formato le mans, quando os remadores correm até as canoas a partir da areia para só depois embarcar, 13 equipes de diversos estados do Brasil lançaram-se ao mar numa largada emocionante. A primeira parte da remada era contornar o sul da ilha de santo amaro, uma região compreendida dentro da baia de santos, com costões incríveis e que, de certa maneira abrigava a navegação, pelo menos era o que muitos achavam. Quanto mais aumentava a intensidade do vento e a influência da ondulação, maior era a hidráulica contra os imensos paredões, o que fazia com que a remada fosse mais técnica, pois as canoas ainda remavam de certa maneira próximas umas das outras e a capacidade de grandes manobras ainda era um pouco limitada e até mesmo o auxilio das embarcações de apoio era restrito uma vez que não seria possível atravessar todo o pelotão de canoas naquele momento.

Logo após deixarem a Ilha das Palmas, as tripulações já iniciaram os revezamentos, eram cenas realmente incríveis, as embarcações de apoio lançavam os remadores e remadoras na água que ficavam aguardando a passagem da canoa que já tinha definidas as posições que seriam substituídas de acordo com a estratégia adotada por cada equipe. Não demorou muito para a primeira canoa fazer água, as condições ficaram ruins e o mínimo descuido, seja qual fosse, ocasionaria um problema. A canoa tem 15 metros e seu costado (altura lateral) é relativamente baixo e não utilizando saia (capa que protege do alagamento) qualquer onda invadiria rapidamente a embarcação, mas nada que não pudesse ser resolvido, apenas alguns minutos preciosos que deveriam ser recuperados mais a diante.

Logo avistávamos a Ilha da Moela e isso já significava águas realmente abertas, daquele ponto até a entrada do Canal de Bertioga, passando por todas as principais praias do Guarujá e as ilhas das Cabras e Arvoredo, a navegação seguiria sem um abrigo. Era impressionante, a ondulação ia entrando e as rajadas intercalavam ventos moderados e fortes, deixando o mar um pouco mexido e acrescentando um grau a mais de dificuldade na remada e na navegação, os barcos de apoio acostumados com a navegação naquela região pendiam para um lado e para o outro mostrando que a coisa não estava fácil para ninguém!
Conforme o dia avançava, o tempo estabilizava e quanto mais os remadores se aproximavam da entrada do Canal de Bertioga, mais o mar se alinhava, tornando a entrada de certa forma mais tranquila. Do meio do canal era possível identificar a entrada das canoas pelo brilho que as pás dos remos geravam e em poucos minutos cruzavam nosso jet que os acompanhou durante toda a prova registrando cada momento.
Teoricamente a remada dentro do canal que é de águas abrigadas seria mais fácil, mas numa prova como essa, até o que é fácil, não é fácil. Existem muitas marinas no início desse trecho e as embarcações passavam numa velocidade que, por conta da baixa profundidade, gerava ondas que também atrapalhavam, numa embarcação como uma OC6, qualquer erro naquela região formada por áreas de manguezais e longos baixios poderia colocar em risco posições conquistadas, então as decisões deveriam ser acertadas para o melhor aproveitamento daquelas águas relativamente calmas.
Dentro do canal um dos barcos de apoio teve problemas e até que fosse resolvido sua tripulação teve que seguir sem revezar, nem é preciso dizer que numa prova dessas se tira forças de onde nem se imagina, remar 75km é uma aventura para poucos!
Logo todas as canoas estariam remando dentro do canal do Porto de Santos, o maior do Brasil e novamente as decisões rápidas se faziam necessárias, pois além do fluxo de embarcações, um forte vento soprava no canal, dificultando um pouco a performance das canoas que após aproximadamente 7 horas de prova, trazia no semblante de cada remador o desgaste físico.
Uma prova não só para vencer, uma prova para conhecer seu próprios limites e supera-los, foram 75km duros, onde do primeiro ao último, todos foram campeões, Aloha!