Navegação - A velha lenda do balão.


Nesses muitos anos competindo, tive a chance de vivenciar muitos momentos da utilização do balão. Alguns engraçados como o velho sutiã, e outros nem tanto, como uma bela atravessada com um barco com mais de 40 pés por conta de uma rondada de vento, mas nesse texto, gostaria de dividir os detalhes para os iniciantes ao Iatismo de uma subida e descida do balão. Primeiro devemos conhecer o que compõe essa vela e sua utilização. Considerando que utilizaremos como exemplo um balão simétrico, ou seja, com lados iguais, devemos conhecer suas escotas, normalmente as embarcações possuem escotas que já sinalizam suas posições de bombordo e boreste através das cores verde e encarnada (vermelha) Caso as escotas não sigam esse padrão, existe a possibilidade de haver um filete de cada cor (verde e encarnada) identificando a posição correta do balão, evitando que o mesmo seja montado ao contrário ou até mesmo de ponta cabeça, facilmente identificado pelo numeral que estará voltado para trás. Uma peça fundamental na montagem do balão é o pau de spi, também conhecido apenas como pau, e que é içado pelo amantilho. Sua função é mante-lo aberto por barla para que o baloneiro controle o balão de acordo com os ângulos do vento. No pau de spi existe também o burro, que tem como função principal controlar a altura da saia, parte inferior do balão, folgando ou caçando o pau. Além dessa comissão de frente, temos 2 carinhas muito importantes próximos à catracas, os barbers. Os barbers são pequenos cabos com pequenos moitões nas pontas para que as escotas sejam controladas em cada ângulo de navegação, ou seja, sempre na escota de barla o barber deve ficar folgado enquanto o barder de sota deve ficar caçado e no jaibe, os barbers são alterados em função da posição do balão. Um problema bastante comum na navegada de balão são as escotas, dependendo da intensidade do vento, se passadas de forma errada, podem causar uma grande perda de tempo para a correção, trazendo um grande problema para a performance na regata.  Não é tão incomum alguém passar a escota ao contrária na catraca, causando um enorme problema. Para evitar isso, vale lembrar que as escotas sempre são passadas no sentido horário, independente da catraca, todas giram no mesmo sentido e tanto faz se está de frente para a proa como para a popa, a direção é sempre a mesma. Normalmente o balão fica guardado num saco, onde é guardado passado ou seja, é dobrado do lado certo e pronto para o uso com os punhos todos juntos, bastando apenas engatar a adriça e as escotas de barla e sota. O trabalho é realizado em equipe num barco de oceano, principalmente quando a situação é uma regata de barla-sota, onde o tempo é precioso.  Quando o barco está sendo preparado para a regata, as escotas já ficam passadas, ou seja, considerando que já se saiba por qual lado o balão irá subir, ficam unidos pelos gatos (engate rápido existente nas extremidades das escotas e da adriça)  Para preparar a subida do balão, primeiro devemos verificar se o amantilho está preso ao pau de spi, em seguida o pau deve está posicionado para ser içado, alguns barcos tem um olhal fixo ao mastro, outros um pino com um carrinho, mas independentemente do tipo, a fixação do pau deve ser executada nesse ponto e com sua outra extremidade deve ser engatada à escota de barla, sendo a mesma repicada (ajustada) para fora do stay de proa, evitando problemas na subida do balão. Em geral o burro do pau fica completamente folgado ou com uma pequena folga, isso é uma regulagem e cada barco tem a sua em função da melhor navegada, mas
com essas funções já realizadas é hora de deixar o pau na posição, caçando o amantilho que normalmente fica num dos stopers do piano, o amantilho é um tipo de adriça uma vez que é utilizado para içar, mas não é chamado de adriça por não içar velas, essa é a diferença. Içado o pau, escotas e adriça passadas nos punhos, barbers ainda folgados, e tudo pronto para subir o balão, mas ainda navegando à contra vento, devemos lembrar que a última função da subida do balão é estourar a adriça da buja ou genoa. No barco de oceano nos referimos à vela da proa como genoa, para iniciarmos a subida do balão vamos conferir as escotas que devem estar passadas nas catracas de barla e sota, ficando a de barla repicada pois, é ela que fará o controle da abertura do balão, e mais tarde podendo também ser usada a escota de sota para seu melhor ajuste. Ao comando do timoneiro e para evitar problemas como um futuro rasgo, um dos tripulantes poderá ficar posicionado à sota para safar o balão, permitindo uma saída limpa e rápida, cabendo ao piano apenas caçar a adriça o mais rápido possível, ao mesmo tempo o tripulante incumbido das escotas caçará o barla para que o balão além de subir, se abra o mais rápido possível, restando apenas os ajustes dos barbers, antes de todos os ajustes finos, decididos normalmente entre baloneiro e timoneiro. Como ponto de atenção, vale lembrar que, o pau deve estar posicionado à barla, ou seja, sempre o pau estará posicionado no lado contrário ao lado que o balão subirá, se o balão subirá por bombordo, o pau estará a boreste. A descida do balão também tem os seus segredos, sempre o mesmo deverá descer por sota, ou seja, por trás do grande e com a buja ou genoa já içada, ao contrário da subida do balão, agora a buja é a primeira fase da descida do balão. Com a buja em cima é chegada a hora de descer o balão, a decida deve ser rápida e precisa, e para isso o trabalho em equipe é muito importante. A vela ainda estará sob pressão quando for iniciado o procedimento de descida, e por isso será necessário um tripulante para estourar a escota de barla, restando ao piano e quando necessário à mais um tripulante a função de, com a escota de sota em mãos, juntar ambos os punhos, barla e sota, formando um charuto e em seguida estourando a adriça do balão para que, em longas e rápidas braçadas o traga para dentro da cabine. O procedimento de subir e descer o balão de um veleiro para parecer fácil, mas qualquer descuido ou desatenção pode trazer problemas sérios. Bons ventos!