Navegação - Cambando o barco.


Seria uma simples manobra, senão fossem os detalhes... Depois de muita gritaria e corre-corre, descobri alguns pequenos segredos e quando descobri que a orça é o freio do barco, entendi todo o resto. Para os que ainda estão se ambientando, vale lembrar que no contra vento é que cambamos e no popa jaibamos, usando um português claro. Além do feeling de um bom marinheiro, a regata é física pura, graus e mais graus somados e subtraídos para o melhor aproveitamento do vento e do barco, com certeza Albert Einstein teria sido um grande iatista. Apenas para um exercício, vamos considerar que o vento é sul puro, ou seja, 180° e que estamos navegando numa orça a 210°, isso significa que se cambarmos o barco mantendo a mesma orça, nossa proa marcará 150°, ok? Criando no imaginário, teríamos um arco de 60° onde a 30° ou 180°, no caso desse exemplo, estaríamos aproados, ou seja, totalmente parados. Muitos velejadores preferem bordos maiores, claro que 1001 fatores decidem os bordos como, casco, rajadas, linha da boia, entre outros, mas o fato é toda vez que se camba um barco ele arrasta água e praticamente para, e só ai retoma a velocidade. Nesse texto trataremos a cambada como manobra de regata observando os detalhes para manter a velocidade e o uso do vento a seu favor. Numa cambada trabalhamos basicamente com uma buja ou genoa, escotas, cachorrinhos e catracas. O cachorrinho serve para regular o quanto se pode caçar a buja de acordo com o seu tamanho, em geral é ajustada conforme a troca de velas. Considerando que nosso barco navegará à contra vento, a vela estará apenas como exemplo, a bombordo e isso significa que a escota usada para trimar a vela é a escota de bombordo, e que a de boreste deverá estar folgada e passada, assim como a de bombordo, no cachorrinho e passada na catraca de boreste. A mudança de bordo faz com que o barco passe pelo ângulo 0°, ou seja, aproado e que passe para o outro bordo no mesmo ângulo. É exatamente nessa passagem que é realizada a cambada, até ai nenhuma novidade, mas a questão é como ela é realizada. Navegar num bordo, significada em geral que o barco vem se deslocando numa determinada velocidade e que, deverá rapidamente trocar de bordo para que não perca tempo recuperando novamente sua velocidade. O responsável das escotas trabalhará, dependendo do tamanho do barco acompanhado de mais um marinheiro. Quando ordenada a cambada pelo comandante, algumas observações são muito importantes. A primeira delas seria verificar se a escota está safada, ou seja, que nada impedirá que ela corra livremente para a troca de bordo, se tiver a bordo mais de uma manicaca, lembre-se sempre de deixar uma manicaca na catraca que será a do bordo e a outra na bolsa do mesmo lado, por que deixa-la na bolsa onde correrá a escota poderá com a velocidade criar um laço e lança-la para fora do barco e acredite isso acontece mais do que se imagina! Quando o procedimento inicia, o uso do vento pode tornar a manobra fácil e leve, ao passo que a vela inicia o movimento passando pelo ângulo 0° ela está completamente sem pressão, isso significa que, em grande velocidade você conseguirá caçar toda a vela para o bordo desejado, e o vento ficará incumbido de empurra-la, finalizando o procedimento, restando apenas ao trimer concluir com o ajuste fino. Tudo isso realizado em segundos para que, em regata, percamos o mínimo de tempo possível. Depois desse procedimento talvez faça alguma pequena regulagem
na vela, mas o mais comum é correr para a escora e deixar o barco tomar velocidade novamente. Bons ventos!