Analise oceânica do farol de nazaré.



Localizada a aproximadamente 120 km de Lisboa, a praia de Nazaré está localizada na costa norte de Portugal. Geograficamente existe um pequeno equívoco, o farol do Forte de São Miguel Arcanjo está localizado exatamente na divisão costeira entre a praia de Nazaré e a Praia do Norte, aliás o forte só permite acesso à Praia do Norte, mas acredito que por Nazaré possuir a maior estrutura da região, foi conveniente e prático o uso do título.
A praia de Nazaré é basicamente o centro comercial da localidade, mas de sua areia até o farol é longe ao contrário da praia do norte que permite acesso aos que passeiam por suas areias, só essa diferença já justifica uma ondulação constante na praia do norte e não em Nazaré que apesar de belíssima mostra que seu fundo não proporciona boas ondas regularmente. Enquanto estive lá o que vi foi uma formação de quebra coco, para os paulistanos algo parecido com Paúba e Boissucanga.
Os ventos naquela região do atlântico norte são intensos, do alto do forte senti ventos de 30 a 35 knots, algo em torno de 65 km/h. O swell que entra naquela região é do quadrante “W” e “NW” e vale lembrar que aquelas ondas não existem em outras regiões com frequência por conta da proximidade com o polo norte.
Segundo estudos da Marinha Portuguesa existe uma grande calha chamada Canhão de Nazaré que forma um rio subterrâneo com quase 1.000 metros de profundidade e que quando encontra a laje de frente com o forte faz com que todo esse volume de aguas silenciosas vá direto à superfície de encontro com o swell instalado na superfície pelo curso natural o potencializando. Somado a um terceiro fator, o backwash causado pela grande profundidade da praia do norte faz com que a onda levante a tamanhos publicados em aproximadamente 100 pés ou 30 metros.
Para se ter uma ideia, 1 metro cubico é formado por 1.000 litros de água, para fazer um calculo rápido e aproximado consideremos que a onda num dia grande, mas não épico tenha, 20 metros de altura, 100 metros de comprimento e 6 metros de parede, então teríamos; 20x100x6 ou 12.000.000 de litros de agua se deslocando contra um surfista de aproximadamente 80 kg e com uma prancha de aproximadamente 6 kg. Essa primeira informação já explica o motivo das pranchas necessitarem de reforços e longarinas mais pesadas.
Um volume de agua desse tamanho torna praticamente impossível dropar essa onda sem o auxilio de um reboque com jet ski (tow-in)
Alias, jet ski é um assunto importante nessas águas, muitos fatos ocorreram e ocorrem em Nazaré por conta do uso dos Jet Skis, bons e ruins...
Existem inúmeros vídeos nas redes narrando atitudes heróicas, mas a verdade é uma só, apesar de tratado com um veiculo de fácil condução, é uma maquina que assim como aquelas aguas, também possui seus segredos.
Uma maquina que usa como propulsão um hidrojato ou seja, suga agua por uma extremidade do tubo e a lança por outra, como um aspirador gigante, com aproximadamente 300 kg e 1.500 hp de potencia é capaz de atingir a velocidade máxima de 40 milhas, mas em aguas revoltas toda a navegação dessa maquina é alterada. Primeiro fator a ser considerado, sua capacidade de estabilidade em água salgada é menor do que em agua doce, por isso são frequentes acidentes no mar, no caso de Nazaré até onde saiba os acidentes ocorridos são sempre no resgate e isso tem uma explicação.
O backwash formado faz com que a maquina (jet ski) de casco estreito (1,20cm) se torne instável apenas com o piloto, no caso de uma equipe de resgate a necessidade de velocidade potencializa o risco uma vez que cada passageiro exerce uma tendência de inclinação diferente, gerando grande instabilidade, pois o piloto esta sempre apoiado ao guidão e o garupa ou resgatado onde pode! Outro fator é a capacidade de propulsão, espuma não gera impulso, portanto o que torna a navegada estável é a entrada continua de agua no sistema de hidrojato, bumpings e espuma torna a maquina fraca impedindo uma saída rápida no caso de um resgate e o deixando-a sem direção.